2 comentários em “Devaneios monárquicos

  1. Você já deve ter lido isso, mas quando Platão discursa sobre as diferentes formas de governo em “República”, começa dizendo que não há forma melhor que a outra (que não seja deturpada, claro), mas a melhor para aquela nação em particular.

    Pessoalmente eu não acho que a monarquia evitaria os problemas da república brasileira. Simplesmente não faz diferença; podemos trocar os amigos do partido pelos amigos do imperador e continuar com a mesma esculhambação. Porém, vejo duas vantagens na república que são improváveis, se não impossíveis, na monarquia: o direito ao contraditório político (a possibilidade em tese de um grupo defender uma agenda contrária ao governo) e a defesa da coisa pública.

    É claro que a monarquia constitucional pode nos dar ambas as coisas, mas elas seriam concessões do poder monárquico, não pressupostos dele. Os exemplos históricos são assim, da Carta Magna de 1215 à constituição imposta a Luis XVI na Revolução Francesa e a monarquia britânica moderna.

    É por esse mesmo princípio do Platão que acho uma baboseira tamanha dizer que o catolicismo vê na monarquia um sistema político melhor ou mais justo, como dizem os tradicionalistas. É mais insensato do que dizer que a casula romana é mais piedosa do que a grega. Monarquia é um sistema político como qualquer outro, não uma tese teológica, e preferir um ao outro usando teologia é procurar soluções seculares para eternos problemas espirituais.

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