2 comentários em “Homofobia: uma palavra que poucos sabem usar

  1. Vinícius, primeiro gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa e assiduidade ao blog. Seus textos sempre me fazem refletir. Entretanto, preciso levantar uma questão sobre esse post.
    Noto que existe certa frequência no termo “gay” no conteúdo informativo do seu blog, eis que pois me surge a indagação do motivo.

    Ao reler cuidadosamente alguns dos seus outros posts (de assuntos não correlatos à homossexualidade), percebo, sim, uma certa “intolerância” a respeito dos homoafetivos, em pequenos comentários ou frisos. Compreendo fortemente, se posso assim chamar, a necessidade de trazer para perto quem permanece ou insiste numa “intrínseca desordenagem”. Afinal, desejamos o melhor e queremos que todos cheguem a Deus e curem-se dos seus temores/medos/supostas verdades. Pelo menos EU parto dessa premissa.

    Vejo que tudo funciona de uma forma muito unilateral na sociedade. Os gays exigem um respeito que muitas vezes fere a liberdade de expressão dos “normais”. E, muitas vezes os anti-gays (veja que não trato como homofobia) também se enchem de verdades e certezas que machucam profundamente quem já sofre preconceitos e barreiras diárias.

    Gostaria de uma resposta sincera…uma verdade sem recriminações. A urgência em se defender atrás de textos polidos e embasados vem por qual motivo?
    – A “talvez dúvida” da sua sexualidade
    ou
    – Um certo teor homofóbico velado?

    Conheço, como bem abordado por você num outro texto, um padre que sublima e vence seus “desejos desordenados” a cada dia. Seu amor pelo Senhor e vontade de espalhar Suas palavras o ajudam a vencer qualquer desafio. E, há mais de 13 anos ele segue ajudando jovens, que passam pelo mesmo desafio que ele outrora ele venceu. Sublimar, talvez seja A resposta.

    Respeitosamente,

    Ana Clara Rodrigues

  2. Para ser sincero, eu acho irrelevante esse discurso todo da Igreja ser contra o casamento gay, adoção de crianças por pais gays. Qualquer pessoa, de qualquer religião, tem todo o direito de não concordar com a prática homossexual, mas não tem direito nenhum de negar direitos aos gays. E também não têm o direito de falar o que quer respaldada na “liberdade de expressão”. Por exemplo, seja sincero, você acha que é aceitável alguém ser contra o casamento interracial, por exemplo, e propagar essa ideia usando como sua defesa a liberdade de expressão? Duvido que alguém faça isso sem que seja tachado de racista. Então, por que ser contra o casamento gay é considerado tão natural? Acontece que hoje o racismo não é mais aceito como normal, aceitável pela sociedade. O racismo ainda existe, claro, mas é punido e desestimulado. Agora a homofobia (ou seja lá o que for) é difundida tanto de forma aberta quanto velada. As crianças desde cedo aprendem que “gay” é um xingamento. E se um menino que demonstra trejeitos afeminados é xingado de “seu gay”, “seu bicha”, etc., isso é naturalizado pela sociedade, que em sua maioria apoia a ação do agressor. Por outro lado, a maioria das pessoas vai achar desprezível alguém que chame outra pessoa de “seu preto” pejorativamente.
    Recentemente assisti a um documentário chamado “O riso dos outros”. O filme fala sobre o humor e levanta essa questão de que o politicamente correto poda a criatividade das piadas. “Ah, mas é SÓ uma piada”, muitos dizem. Não, não é. Quando se faz uma piada que agride os negros, as mulheres, os gays, as pessoas com deficiência, isso não é só uma piada. Isso reflete todo um contexto social e um pensamento coletivo opressor. Não estou dizendo que não se deve fazer piadas sobre o assunto, muito pelo contrário, mas existem maneiras saudáveis de se fazer piada sobre muitas coisas, sem ser ofensivo, e o vídeo mostra muito bem isso.
    Bom, percebi que parece que desvirtuei um pouco do assunto, mas escrevi tudo isso para mostrar como a liberdade de expressão não dá imunidade às pessoas para elas falarem o que bem entenderem. Voltando ao que disse no começo, as religiões podem, sim, ser contra celebrarem, elas próprias, o casamento de pessoas do mesmo sexo, ninguém quer mudar os dogmas religiosos. Mas elas não podem de forma alguma interferir nos direitos dos cidadãos e impedir de eles se casaram e serem reconhecidos pelo Estado como um casal, com os mesmo direitos de um casal heterossexual.
    Você, Vinícius, como católico imagine uma situação: imagine que no Brasil exista uma religião dominante X e que, nessa religão X, a prática da religião católica seja considerada imoral e não fosse permitida pelo Estado a celebração de cultos religiosos católicos. Você acharia isso justo? Com certeza não. É a mesma coisa em relação às questões defendidas pelos gays (como o casamento gay ou a adoção de crianças): você tem o direito de acreditar no que quiser, defender suas ideias, mas em hipótese alguma tem o direito de interferir na vida dos outros por causa de suas crenças, ideais, etc., até porque nem todos são obrigados a acreditar ou concordar com elas. É a mesma coisa com aquela proibição em algum país da Europa (se não me engano foi na França) do uso do véu por mulheres muçulmanas. O Estado não tem o direito de interferir nas crenças delas. Por que motivo então, as crenças PARTICULARES de pessoas de qualquer religião deveriam interferir na vida de pessoas que não compartilham da mesma visão, entre elas homossexuais que desejam se casar?
    Para finalizar, gostaria de transcrever o discurso de Mary Griffith no filme “Orações para Bobby”, que é baseado na história real de um menino gay que cometeu o suicídio por causa da não aceitação da mãe religiosa. Posteriormente a mãe dele reviu os conceitos dela sobre a homossexualidade e expressou muito bem por que a liberdade de expressão não dá o direito de se falar o que quer:
    Mary Griffith:
    “Homosexuality is a sin. Homosexuals are doomed to spend eternity in hell. If they wanted to change, they could be healed of their evil ways. If they would turn away from temptation, they could be normal again if only they would try and try harder if it doesn’t work. These are all the things I said to my son Bobby when I found out he was gay. When he told me he was homosexual my world fell apart. I did everything I could to cure him of his sickness. Eight months ago my son jumped off a bridge and killed himself. I deeply regret my lack of knowledge about gay and lesbian people. I SEE THAT EVERYTHING I WAS TAUGHT AND TOLD WAS BIGOTRY AND DE-HUMANIZING SLANDER. IF I HAD INVESTIGATED BEYOND WHAT I WAS TOLD, IF I HAD JUST LISTENED TO MY SON WHEN HE POURED HIS HEART OUT TO ME I WOULD NOT BE STANDING HERE TODAY WITH YOU FILLED WITH REGRET. I believe that God was pleased with Bobby’s kind and loving spirit. In God’s eyes kindness and love are what it’s all about. I DIDN’T KNOW THAT EACH TIME I ECHOED ETERNAL DAMNATION FOR GAY PEOPLE EACH TIME I REFERRED TO BOBBY AS SICK AND PERVERTED AND A DANGER TO OUR CHILDREN. HIS SELF ESTEEM AND SENSE OF WORTH WERE BEING DESTROYED. AND FINALLY HIS SPIRIT BROKE BEYOND REPAIR. It was not God’s will that Bobby climbed over the side of a freeway overpass and jumped directly into the path of an eighteen-wheel truck which killed him instantly. Bobby’s death was the direct result of his parent’s ignorance and fear of the word gay. He wanted to be a writer. His hopes and dreams should not have been taken from him but they were. THERE ARE CHILDREN, LIKE BOBBY, SITTING IN YOUR CONGREGATIONS. UNKNOWN TO YOU THEY WILL BE LISTENING AS YOU ECHO “AMEN” AND THAT WILL SOON SILENCE THEIR PRAYERS. Their prayers to God for understanding and acceptance and for your love but your hatred and fear and ignorance of the word gay, will silence those prayers. SO, BEFORE YOU ECHO “AMEN” IN YOUR HOME AND PLACE OF WORSHIP. THINK. THINK AND REMEMBER A CHILD IS LISTENING”.

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