4 comentários em “As lições e emoções de “As aventuras de Pi”

  1. Parece que ninguém entendeu que “As aventuras de PI” é uma das maiores críticas à fé que eu já vi em toda vida, e inaugura uma era inédita no cinema onde essa crítica jamais foi exposta de forma mais corajosa, simples e contundente. É tão contundente que os espectadores, acostumados a um cinema sempre elogioso à fé e a esperança, criam uma espécie de bloqueio e não enxergam o quanto o personagem principal foi remodelado por sua experiencia terrível e reveladora que o levou a duras penas a enfrentar a realidade. O final do filme pra mim é claro: Pi sugere ao entrevistador que a criação fantasiosa da sua viagem é como a criação necessária de um Deus magnânimo pelos homens, ou seja, uma imagem colorida que encobre a verdade cruel da vida : Estamos sós, e sobreviver no mundo é quase sempre sinônimo de escolhas difíceis que muitas vezes vão contra nossos ideais, e na maioria do tempo somos apenas espectadores alienados, inevitáveis cúmplices da dor e da bestialidade.

    • Pois é. esse filme colocou as 3 religiões a prova. A primeira foi o hinduísmo. PI precisou comer um peixe o que já o fez contradizer essa religião. Mas não quer dizer que a fé não foi importante para que sobrevivesse ao mar. O tigre era o interior de pi. Todas as pessoas possuem um. É o instinto mais básico e pessoal de cada ser humano. Não pode ser domado, mas pode ser treinado.

    • As definições de “levar por trás” foram atualizadas com sucesso.
      Vc acusa os crentes de terem bloqueios mentais. Esse doug deveria se olhar no espelho. Nunca vi uma definição do filme mais mesquinha, rancorosa e pervertida.

      Alguém tem de avisar a esse doug o seguinte:

      1) O Pi estava convicto do que viu. A história inventada foi porquê os descrentes eram os membros da seguradora. A realidade metafísica foi o que o Pi viveu. A história das pessoas mortas foi uma “parábola” da realidade metafísica, para que os membros da seguradora tivessem uma noção mínima de como as coisas funcionaram. Exatamente igual à Jesus, quando pregava o evangelho.

      2) Em toda a história, Pi, um homem culto, manteve-se lúcido e manteve a convicção no próprio relato. Com o auxílio do pai dele, ele manteve a racionalidade e usou ela para avaliar as crenças religiosas. Existem muitos “Pi” adultos, por aí. São teólogos e filósofos, gente mil vezes mais culta e inteligente que esse ateusinho toddynho do doug.

      3) essa estúpida mentalidade militante é oriunda da mentalidade de guerra de classes, separando sempre o “nós” e “eles”. O ateu militante não pode pensar no religioso como alguém que pode trocar ideias, aprender e ensinar, expandir sua visão de mundo. Ele sempre observará o religioso como um inimigo a ter sua humanidade e trajetória renegadas. Ser ateu militante é um desperdício.

      Por fim, o ateísmo puro é irracional. Vc pode ter uma aversão à explicação cristã de Deus, ou qualquer outra explicação religiosa. Mas é obrigado pela lógica a admitir que, no princípio, já havia algo com o poder de Deus. Simples: o NADA não possui atributos. Não possui partições, subconjuntos. O NADA (não seja burro, confundindo o nada com vazio quântico) não pode, então, participar de relações causais. Mas acreditar em algo com o “poder de Deus” já é reconhecer a necessidade Dele. O indivíduo pode não chamá-lo por “Deus”, pode chamá-lo por Explicação Superior, Engrenagem Máxima de Ordem, Causa Incausada, etc, MAS TEM DE RECONHECER QUE ELE EXISTE.

      O que prova que o ateísmo militante é um sistema de crenças irracional. Não é atoa que já foi relegado à irrelevância nos EUA e nos outros países do exterior. No Brasil, apodreceu no pé.

  2. Bem, em minha opinião o final do filme deixa bem claro que na verdade toda história foi de fato inventada pelo Pi para acobertar as barbáries por que passou. Diante deste realidade horrível ele optou por criar uma história que o deixasse lúcido durante o todo tempo de solidão. Ele lê isso no caderno de sobrevivência, era uma das dicas do manual, inventar histórias para não enlouquecer.
    A grande questão que o filme coloca é justamente a liberdade de escolha de como queremos ou não moldar a nossa vida, se é em cima de uma realidade nefasta e trágica ou em cima da esperança e da crença no impossível. Pi optou pelo segundo para conseguir continuar amando a Deus e ao próximo. Neste sentido o filme acaba trazendo ótimos argumentos tanto para os crentes quanto para os ateus. Tudo depende de como se encara este confronto entre realidade e esperança. Os ateus dirão que o filme é uma crítica à fé, que Deus não passa de um instrumento criado pelo homem para amenizar suas dores e conseguir viver em paz fantasiando a verdade. Nós cristãos já veremos como um exemplo, quase uma releitura do Livro de Jó. Vemos alguém que mesmo nas maiores adversidades escolhe continuar amando e tendo esperança no impossível.
    PS: Vale sempre lembrar que este filme é baseado num livro de um escritor canadense chamado Yann Martel que por sua vez admitiu que copiou a idéia de um livro de um escritor brasileiro chamado Moacyr Scliar.

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